
Nestes tempos de crise, principalmente agora que a Petrobras enfrenta um dos piores momentos da sua história, porque era o nosso orgulho nacional e foi atacada violentamente por uma quadrilha, além da queda do preço do barril, não podemos deixar de refletir sobre as políticas públicas de investimento que foram negligenciadas ao longo de 28 anos em Casimiro de Abreu, visto que recebemos royalties do petróleo desde 1987.
Governos se sucederam no município e, simplesmente, o problema da petrodependência não foi efetivamente atacado. Pelo contrário, esses recursos causaram uma visível letargia, uma preguiça de se buscar uma visão empresarial para a gestão pública.
Há bem pouco tempo, ficamos apreensivos com os debates no Congresso Nacional a respeito da redistribuição desses repasses federais. Hoje, a nossa preocupação se volta para questões externas. Mas, de qualquer maneira, perdemos quase três décadas aplicando mal os royalties, sem destinação de, pelo menos, uma parte em investimentos que retirassem a cidade da mesmice administrativa. Faltaram estratégias a médio e longo prazo. Faltou à sociedade cobrar a aplicação correta. E o que é mais triste é que não fizemos jus de merecê-los, porque não soubemos multiplicar essas importantes fontes. Se hoje elas parecem secar, temos grande culpa em sermos tão dependentes, por não ter construído uma cadeia de investimentos, com o escopo de alcançar finalmente autonomia.
Parece que somos aqueles filhinhos mimados que, mesmo adultos, ainda dependem dos pais.
Nossas receitas próprias são desprezadas, em renúncia fiscal. Por que nos importaríamos de cobrar IPTU, por exemplo, se sempre recebemos milhões em royalties? Isso foi apontado no ano de 2007 pelo Tribunal de Contas do Estado. Anualmente, milhares de processos são extintos pela justiça porque o prazo de cobrar esse imposto se encerrou pela prescrição.
Acompanhando mais de perto a política local há mais de vinte anos, chegamos à conclusão que, apesar de termos recebido, em 28 anos, mais de 10 bilhões de reais, vimos o patrimonialismo crescente, o enriquecimento de alguns, a falta de políticas públicas coerentes, os gastos desenfreados e a má administração dos recursos.
Nesse grande bolo, não faltam também aqueles que querem tirar a sua casquinha, extorquindo dos políticos o dinheiro que deveria ser empregado em saúde, educação e outras áreas importantes. Esse mesmo povo diz que pegar dinheiro com político é esperteza, mesmo sabendo que esse dinheiro não é do político. Contudo, a esperteza, neste caso, sem meias palavras, é a maior de todas as ignorâncias.
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