Todo agricultor sabe que há períodos de
abundância de chuvas e de estiagem. Ele entende que é preciso investir bastante
no período de fartura, e ele o faz lançando a semente no solo, ceifando com
cuidado e com sabedoria armazenando para o futuro. Aplicando essa regra
importante do campo à prefeitura, percebemos o quanto falharam nossos
governantes e também vereadores, porque estes últimos deixaram de exercer a
importante função constitucional de fiscalizar o Executivo. Também incumbia aos
nossos edis a elaboração de um orçamento que defendesse o investimento necessário.
Por muito tempo vimos o desperdício do dinheiro público, a
má administração, a heteronomia, a distribuição de benesses com “chapéu alheio”,
a falta de investimento em turismo, o fracasso em atrair empresas, o consumo
excessivo de combustíveis e outras marcas da incompetência.
O que se vê hoje é um caos nas finanças públicas, não só em
nossa cidade, mas em todas aquelas que, como nós, sempre estiveram presas a
recursos finitos e sujeitos à variação do mercado externo. Não há nada nos
celeiros e também no campo.
Enquanto havia dinheiro, aliás, rios de dinheiro, muito se
gastou sem a preocupação com o futuro. Será que o governo atual é regular ou estávamos somente acostumados com
administrações péssimas? Acredito que estávamos acostumados a governos ruins, porque o investimento imprescindível para nossa economia não aconteceu em nenhum governo até o dia de hoje. Hoje, não temos direito a errar mais, porque muitos erros cometemos até agora, e a metáfora do agricultor, por mais simples que pareça, precisa ser levada muito a sério, sob pena de nos transformarmos numa cidade perdida na imensidão do nada.

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