segunda-feira, 2 de maio de 2016

TRANSPARÊNCIA EMBAÇADA


                Um dos princípios mais importantes da administração pública é a publicidade, que afirma que o povo merece saber de todos os atos do governo e das autoridades, visto que o dinheiro é público e quem administra dinheiro alheio deve lhe prestar contas. Quem não se lembra dos encartes produzidos no jornal que publicava os atos oficiais, que não circulavam nas ruas? A justiça condenou o semanário a não realizar mais tais práticas. E , agora, quem não percebe a pouca circulação do jornal oficial da prefeitura, chamado por alguns de cabeça de bacalhau?
                Outro princípio é o da impessoalidade, que obriga o poder público a não beneficiar ilegalmente uma pessoa em detrimento do interesse público. Quem não se lembra das diárias pagas com dinheiro público à primeira dama da prefeitura? Quem detém o poder não pode contratar advogados com dinheiro público para defendê-la  em ações particulares, como aconteceu a um político local por duas vezes, numa ação eleitoral em que figurava como candidato em 2004 e outra para representá-lo em processo junto ao Tribunal de Contas do Estado.

                Sem dúvida, o patrimonialismo é o principal defeito dos políticos, por considerarem que o poder e os cofres públicos estão à sua disposição e não precisam comprovar a sua evolução patrimonial. Outros usam a criação ou alteração de leis para se beneficiarem e isso todos buscam esconder o máximo possível, de preferência na "calada da noite".  

                O portal da transparência parece esconder mais do que mostrar. É comum estar fora do ar. E desde governos anteriores, nenhum vereador consegue ter acesso a processos administrativos da prefeitura, contratos e outros documentos. O vereador não consegue o básico para cumprir uma de suas funções principais, a de fiscalizar. Como fiscalizará o Executivo se ele não consegue examinar esses processos? O atual prefeito, quando ocupava o cargo de vereador de oposição, reclamava da falta de transparência. Hoje, as coisas não mudaram nada e a cartilha parece ser a mesma. Quando é que vamos ver na cidade um governo que permita aos representantes do povo a fiscalização dos seus atos?

                Vamos ver, dentre as propostas dos candidatos, quem se comprometerá a ser transparente e a honrar a sua palavra. 

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