domingo, 27 de março de 2016

SÃO AS ÁGUAS DE MARÇO OU A INCOMPETÊNCIA?



Alguns dizem que Casimiro é a terra da chuva e que, se alguém quisesse saber se chegou à cidade, bastava colocar o braço para o lado de fora do carro; se molhasse o braço, era Casimiro.

                Brincadeiras à parte, todo nosso município é abençoado por este bem considerado não renovável. Temos as bacias do rio Macaé e a do rio São João, cujos leitos definem o território do município, formando as suas divisas.

                Passado o dia mundial da água, pouco há para se comemorar no mundo e, muito menos em nossa cidade. Governo após governo, a cidade cresceu sem ter sido corretamente planejada, mesmo sendo elaborado plano plurianual; apesar de haver plano diretor, que recebeu diversas sugestões das pessoas que se dispuseram a participar das reuniões, mas que viram a lei ser desfigurada e formatada por algum modelo pronto.

                O turismo é um fracasso porque não aproveita a abençoada dádiva dos céus, que nos dá diversas opções para o ecoturismo. São inúmeras possibilidades, mas nenhuma foi desenvolvida. Pelo contrário, ainda temos que assistir a perseguições a quem deseja melhorar as opções de lazer na cidade, somente porque não concordam com o mesmo projeto de poder.

                Águas de Casimiro reajustam as contas em 30%, bem acima da inflação, e ainda querem justificar dizendo que o m3 da água tratada aqui ainda está barata, comparada a outras cidades. Não somos ignorantes. Sabemos que Casimiro de Abreu é uma cidade privilegiada, construída ao pé da serra, e que a água  chega às nossas residências por gravidade, aquela Lei de Newton, o que barateia em muito as operações da autarquia.

                Se olharmos para a questão do esgoto, voltamos no tempo e vamos descobrir que outros prefeitos também deram a sua contribuição de incompetência, construindo redes mistas, que recebem tanto esgoto quanto água. Se você não entende o que estou dizendo, é fácil. Você só precisa passar em algumas ruas e sentir o mau cheiro que sai dos ralos, nos cantos da rua. Aí você vai se lembrar das redes mistas. Some-se a isso aquela historinha que sempre ouvimos de trocar uma manilha menor por uma maior, depois por outra maior e assim sucessivamente.

                Além disso, temos a estação de tratamento de esgoto já inaugurada, com foto para as páginas sociais. Só inaugurada, porque não funciona e descobriu-se agora que ela não suportará por muito tempo o crescimento da cidade. É uma piada de muito mau gosto, que custou até agora 35 milhões de reais.

                Por fim, temos enchentes todos os anos, e não dá para aceitar como justificativa o grande volume pluviométrico ou que, nas outras cidades, foi pior. Temos que enfrentar os problemas nossos e pensar soluções para nossa cidade, que nem mesmo sistema de alerta e  prevenção possui.

                Quanto mais olhamos para o passado, mais impressionados ficamos ao perceber que este governo e o antecessor estão cada vez mais parecidos, apesar da grande “enchente” de dinheiro que o município recebeu nesses períodos.

               

domingo, 20 de março de 2016

WAGNER HERINGER FALA SOBRE ADMINISTRAÇÃO HUMANIZADA




              Um governo existe para realizar o bem a todos sem exceção. A finalidade de uma administração é construir o bem-estar das pessoas. Dessa forma, a economia não é o objetivo final, mas o meio para alcançar que todos estejam em segurança, de posse do essencial para suas vidas e tendo oportunidade e possibilidade de alcançar mais.

                O tema que discuto é de grande importância. Na administração humanizada, pessoas não morrem por falta de assistência ou de remédios. Também não sofrem meses esperando uma consulta, às vezes urgente demais. Quem sofre tem pressa e a saúde deve ser a prioridade. Além disso, na administração humanizada, o gestor pensa nos seus semelhantes, nos seus vizinhos, e não somente em si e na sua família. O administrador constrói um ambiente de liberdade e não de opressão, sem ameaças veladas ou perseguições. Na administração humanizada, o diálogo é importante para que todos entendam que precisamos uns dos outros e que o desenvolvimento é tarefa de todos nós, mas é importante também reconhecer que essa liderança é conquistada com visão de futuro e empreendedorismo.

                Aqui mesmo em nossa cidade, durante muitos anos se negligenciou a correta aplicação dos royalties e, hoje, quando são escassos, quem mais sofrerá com isso é o pobre, o desvalido, aquele que não tem voz para ser ouvido. O fracasso de um governo é a desgraça para o pobre, que é a parte fraca.  Cuidar do povo é mais do que distribuir cestas básicas em filas vergonhosas na porta dos políticos. É mais do que pagar conta de luz e de água. É dar condições a esse povo de conquistar isso sem depender de ninguém. É mais do que dar casa própria, é dar segurança pra esse povo morar.  Administração humanizada não é torcer para que as águas escoem rapidamente, mostrando que em outras cidades está pior. Administração humanizada é, sim, evitar que isso ocorra todos os anos. Administração humanizada é mais do que fazer prédios, é fazê-los funcionar.

                Administração humanizada não é ficar lamentando pela crise do país,  demitindo porque a receita caiu, mas é ter visão de futuro e perceber que crises acontecem e que a cidade deve pensar em planejamento. Se hoje temos crise, se tivesse havido uma administração humanizada, passaríamos por ela com menos dificuldades do que estamos vendo aí.

               

               

               

domingo, 13 de março de 2016

PRIORIDADES ESQUECIDAS


                A maior prioridade de um governo, acredito,  deveria ser atender aos anseios de coletividade de um povo, embora, muitas vezes, esse povo possa não entender isso completamente. Faria um bem tremendo a todos se estimulasse esse povo a pensar coletivamente, mas, infelizmente, na campanha eleitoral, cada eleitor é convidado a vender-se, começando aí um círculo vicioso de corrupção e poder.

Considero como fracasso um governo não querer dialogar com o povo e, por isso, temos assistido a uma rejeição grande, a ponto de as pessoas pensarem em voltar ao passado. Mas não pensem que, quando digo dialogar, é ficar recebendo as pessoas em casa e distribuindo benesses sem qualquer critério. Isso é populismo e apologia ao individualismo.

Sem mencionar a saúde e a educação, prioridades constitucionais, o olhar de um governante deve se voltar para as maiores carências do seu povo. E somente ouvindo as pessoas é que se constroem as prioridades.

O orçamento “palpitativo” foi uma frustração ao longo desses anos. As prioridades para a população, como as obras de infraestrutura dos bairros São João, Tigres, Recanto dos Paratis, Palmital e outros cederam lugar às reformas de praças que já existiam, porque político gosta mesmo é de  tentar apagar o nome dos seus antecessores. Não é assim que se faz um bom governante.

            As prioridades também devem incluir o investimento no futuro, trabalhando como se o governo fosse uma grande empresa, na construção de possibilidades para atrair recursos de fora para nossa cidade. Se isso tivesse sido feito, hoje poderíamos enfrentar esta crise com mais vigor, sem ficar de pires na mão, porque os repasses federais são menores e fazem uma grande falta agora ter outras opções.
O quadro ainda pode piorar, porque a crise instalada pode querer ficar mais alguns anos por aqui. Neste momento, é importante refletir  sobre quem vamos colocar no leme do barco. Sem a visão de futuro, sem as medidas necessárias e prioritárias, podemos submergir no meio da tempestade.

segunda-feira, 7 de março de 2016

O TURISMO NA CONTRAMÃO


Várias vezes tive a oportunidade de ouvir de pessoas em outras cidades sobre Casimiro de Abreu e pude perceber a total falta de conhecimento dos encantos da nossa terra. Há pessoas, inclusive, que acham que a cidade começa na Banana Passa e termina no Parque de Exposições, resumindo-se a um lugarejo qualquer, perdido e esquecido no fim do mundo, que as pessoas só veem passar rapidamente pela janela do carro.

Infelizmente, desde criança, ouvimos que a cidade nem está no mapa e quando acontecia alguma coisa aqui, que virava notícia, tratava-se de uma desgraça.

A maioria das pousadas locais  recebe viajantes e não turistas, porque a cidade ainda não se tornou destino e continua sendo passagem para outros locais.

O turismo não se limita apenas a eventos. É imprescindível criar infraestrutura e roteiros que tornem a cidade atrativa para as pessoas, mostrando-lhes que existe mais do que uma paisagem perdida na janela.

Certa vez, há alguns anos, tive o desprazer de ouvir de um político experiente, que assumia pela terceira vez o cargo de prefeito, o que ele deveria fazer para alavancar o turismo. Qual o problema? Falta de criatividade, falta de gestão, falta de parcerias, falta de uma assessoria competente, tudo isso poderia ser dito. Mas, naquele momento, eu só consegui pensar na falta de visão do administrador.

O outro, turismólogo, fracassou em desenvolver a cidade e isso ficou claro quando mandou afixar na ponte Rio-Niterói, na contramão, uma propaganda de Casimiro como se nós fôssemos uma cidade da Baixada.

O principal ponto turístico do primeiro distrito fechado: o Pai João. E não vou entrar aqui no mérito desse caso, que é complexo. Contudo, posso afirmar que a desapropriação da área vem desde a década de 80 e nunca se resolveu e agora chegou a um impasse jurídico e imobiliário. Lamentável.

As promessas de campanha falam muito de atrair indústrias para a cidade, mas nenhuma indústria é mais forte do que a do turismo. Entretanto, mesmo tendo um turismólogo no Executivo, o casario antigo de Barra está desabando, a igreja São João Batista, na prainha, edificada no século XVII, está fechada há sete anos. Tratando a cidade assim, não há praças que nos convençam.