Há poucos anos foi realizada uma verdadeira cruzada contra a redistribuição dos royalties, unindo prefeitos, deputados e o próprio governador, já que havia no Congresso propostas para uma nova partilha. Vimos o empenho de todos em lutar contra essa ameaça aos recursos fartos do petróleo. Infelizmente, isso não serviu para nos prevenir de outras ameaças, como a queda do preço do barril lá fora. Desde que surgiram esses recursos, os prefeitos que passaram por aqui sempre estiveram reféns dessa receita, deixando de buscar outras fontes, desprezando as receitas próprias como ISS e IPTU. Milhares de ações executivas foram arquivadas e dívidas prescreveram porque não havia empenho do poder público local, visto que ficavam dependentes dos royalties.
Em 2007, o próprio Tribunal de Contas do Estado publicou em seu relatório o pouco empenho do município em receber suas próprias receitas, prevenindo desde aquele tempo os problemas que poderiam advir dessa incompetência fiscal. Hoje, assistimos ao resultado dessa negligência administrativa. Programas sociais são abandonados, possível cancelamento de contratos como o de transporte universitário, escolas no caos, demissão em massa, fechamento de entidades atendidas há muitos anos por subvenções, lixo nas ruas e outras.
Estamos chegando ao fim de um governo que se perdeu completamente pela falta de investimentos, confiando somente na política de reformar praças e construir prédios que não funcionam. Estamos colhendo como munícipes o produto da incompetência de vários governos, que só pensaram em gastar dinheiro, mas não foram bons gestores para ganhá-lo.
Precisamos mudar esse quadro terrível, enfrentando como se deve a crise, porque acreditamos que quem não soube governar quando havia dinheiro, muito menos saberá agora, quando os recursos diminuíram. O pior é que a crise pode se agravar ainda mais se errarmos as nossas decisões. Se nossos governos falham, em razão da incompetência, sofremos as consequências desses fracassos.

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